24 de fevereiro de 2011

UHF - Viver Para Te Ver


Quero gostar de ti
Sem saber porquê.
Sentir o que senti
A primeira vez.

Sem fazer perguntas
Apenas desfrutar.
Duas vidas juntas
Unidas para amar.

REFRÃO

Viver para te ver
De manhã ao acordar.
O coração a bater
Para te abraçar.

Falo as palavras
Só os olhos a brilhar.
Secreta é a fala
Sonhos a vibrar.

REFRÃO
Viver para te ver
De manhã ao acordar
O coração a bater
Para te abraçar

Ah ah, ah ah, ah ah ah ah ah…
Ah ah, ah ah, ah ah ah ah ah…

Solo

Viver para te ver
De manhã ao acordar
O coração a bater
Para te abraçar

Viver para te ver
De manhã ao acordar
O coração a bater
Para te abraçar


Ah ah, ah ah, ah ah ah ah ah…
Ah ah, ah ah, ah ah ah ah ah…
Ah ah, ah ah, ah ah ah ah ah…

14 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL



"Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontado.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos dos muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono."

Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)

Frederica Rodrigues - Para vender, comprar ou arrendar em Portugal